quinta-feira, outubro 22, 2020
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Pesquisa mostra causas das alterações climáticas no Maranhão de janeiro e junho deste ano


Foram usadas 31 estações meteorológicas, sendo 16 no Maranhão, 15 no Piauí, Tocantins e Pará. As principais conclusões dizem respeito às chuvas que influenciaram as temperaturas mínimas e máximas. Divulgada publicação científica sobre o clima no Maranhão
Tempo é aquilo que percebemos agora: ensolarado, seco ou nublado. Muda a todo instante. Clima é como essa dinâmica se comporta em um intervalo de três meses a trinta anos.
O interesse em analisar as mudanças climáticas no Maranhão fez a Universidade Estadual (UEMA) e o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos firmarem uma parceria.
O resultado foi uma publicação científica sobre o clima no estado, entre janeiro e junho deste ano. Mas, para chegar às conclusões com até 95% de precisão, foi necessário olhar mais distante, de 1981 a 2010.
Divulgada publicação científica sobre o clima no Maranhão.
Reprodução/TV Mirante.
Foram usadas 31 estações meteorológicas, sendo 16 no Maranhão, 15 no Piauí, Tocantins e Pará. E nas áreas sem essa estrutura, a geoestatística preencheu o vazio. As principais conclusões dizem respeito às chuvas que influenciaram as temperaturas mínimas e máximas.
“Nós percebemos que no primeiro trimestre, de janeiro a março, nós tivemos maiores índices de precipitação no Norte, em relação às médias históricas. E no Sul, essas precipitações foram ligeiramente abaixo dessas médias históricas. Em compensação, nós tivemos noites mais quentes, o que remeteu a temperaturas mínimas registradas por volta de 3 horas da manhã, mais altas do que as normais climatológicas da série histórica. E tardes, por serem mais chuvosas, com temperaturas até 5ºC abaixo das médias histórias”, explica Luiz Jorge Dias, que é professor de Geografia Física.
Ainda de acordo com o professor, a pesquisa é importante porque permite entender como deve ser feito o trato dos cultivos na produção rural. Já que essa atividade dependem dos ciclos do ponto de vista meteorológico e climático, como chuvas e temperaturas.
Divulgada publicação científica sobre o clima no Maranhão.
Reprodução/TV Mirante.
Luiz Jorge destaca, ainda, que os estudos permitem propor cenários de médio prazo, indicando se haverá mais ondas de calor e até os focos de queimadas. Além disso, é possível prever se haverá uma tendência maior ou menor de chuvas.
“Nós podemos começar a propor cenários de médio prazo, quer dizer, nos próximos seis meses, se haverá ocorrências de focos de calor, aumento da retirada de água pela atmosfera, de solos, de vegetação, que nós chamamos de evacotranspiração e pode acarretar em queimadas. Da mesma forma, nós olhamos para o oceano, as condições atmosféricas, o padrão de uso dos solos e observamos quais são os cenários que vão apresentar aqui no estado do Maranhão uma tendência de maior ou de menor ocorrência de chuvas no início do próximo período chuvoso, que é no final de 2020 e início de 2021”, ressalta o professor de Geografia Física.
E essas mudanças climáticas afetaram e afetam diretamente a produção agrícola, por isso a importância.
“Esses estudos eles dão parâmetros pra gente colher na hora certa e plantar na hora certa. Então, você tem que ser muito eficiente no sentido de que a planta receba uma quantidade de água, para que ela possa germinar e crescer e também, no final, quando ela vai ser recolhida não pode chover. Então, você traça esses paralelos para plantar quando tem água e colher quando tiver uma escassez de água, pra que você tenha sucesso no plantio. Esse trabalho ajuda a nortear tais processos”, destacou o agrônomo Paulo Catunga, que é pró-reitor de extensão da UEMA.
Também deu para descobrir sobre o 13 de janeiro de 2020. Curiosamente, nesse dia choveu em todo o Maranhão, só que em intensidades diferentes.
Divulgada publicação científica sobre o clima no Maranhão.
Reprodução/TV MIrante.
O território maranhense tem 331 km quadrados e é maior até do que a Itália. Uma reportagem feita pelo repórter da TV Mirante Werton Araújo mostra como foi o temporal em São Luís.
Difícil esquecer dos temporais que alagaram ruas, avenidas, condomínios e casas filantrópicas na Região Metropolitana durante o período chuvoso, que fez essas cenas se repetirem no Mercado Central.
Em julho, mês que ficou fora do estudo, uma ventania derrubou uma torre de telefonia, destelhou casas e causou espanto. Depois, redemoinhos assustaram banhistas na orla da grande ilha.
Ainda assim, pelo período estudado ser próximo, dá pra se encontrar possíveis respostas.
“Se eu somar o estado do Maranhão, praticamente inteiro em suas estações meteorológicas, que ainda são muito poucas, distribuídas ao longo do território, eu vou ver que em algumas áreas nós tivermos até 20% a mais de chuvas, só que essas chuvas se concentraram em um momento muito pequeno. Em vez de se concentrarem em 180 dias, período chuvoso médio de seis meses, se concentrarem em 80, 85, 90 dias. O que é uma ocorrência muito pequena. Isso justifica a ocorrência de trombas d’água, tempestades e eventos de maior apelo social, em função dos impactos ocasionados”, explica o professor Luiz Jorge Dias.

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