terça-feira, setembro 22, 2020
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Maranhão tem alta de 33% no número de casos de estupro de vulnerável no 1º semestre de 2020


Esta é a segunda maior alta do país. Levantamento divulgado pelo G1 nesta quarta-feira (16), apontou que o estado também obteve crescimento no número de casos de feminicídio durante os seis primeiros meses do ano. Maranhão tem aumento no número de casos de estupro de vulnerável no 1º semestre de 2020
Reprodução
O Maranhão teve uma alta de 33% no número de casos de estupro de vulnerável no primeiro semestre de 2020, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (16), são do Monitor da Violência, ferramenta criada pelo G1, baseada em dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA).
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METODOLOGIA: Monitor da Violência
Esta é a segunda maior alta entre os 27 estados e o Distrito Federal. O Maranhão só fica atrás do Rio Grande do Norte, que registrou um aumento de 62%. Apenas os estados do Acre e do Rio de Janeiro não divulgaram dados.
Nos primeiros seis meses do ano, parte desses durante a pandemia de Covid-19, o estado registrou 271 casos de estupro de vulnerável, contra 204 ocorrências notificadas no mesmo período de 2019.
Em relação a casos de estupro, o estado obteve uma queda de -22% nos primeiro semestre deste ano. Em 2019, o Maranhão teve 570 casos, e já em 2019, o número caiu para 500.
Alta nos feminicídios
O levantamento do G1 mostra que o número de casos de feminicídio, quando as mulheres são mortas pelo simples fato de serem mulheres, cresceu durante a pandemia no Maranhão. Em dados gerais, o número de mulheres que foram mortas subiu 8% durante a pandemia.
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Até o junho, o estado já registrou 26 casos, número superior aos 24 feminicídios que foram contabilizados no mesmo período do ano passado.
A alta é maior quando são levados em consideração os homicídios dolosos de mulheres. Em 2020, já foram registrados 84 ocorrências deste tipo de crime, contra 71, em 2019, o que representa um aumento de 18%.
A alta nas mortes segue a tendência registrada em todo o país no primeiro semestre deste ano. No Brasil, o número de feminicídios também teve uma leve alta. Houve 631 crimes de ódio motivados pela condição de gênero.
Brasil registra aumento de homicídios de mulheres no 1º semestre
Juliane Monteiro/G1
Queda na violência doméstica
O Maranhão foi um dos 19 estados que obteve uma queda nos registros de lesão corporal dolosa em decorrência de violência doméstica. O estado obteve um decréscimo de -25% nos primeiro semestre ano, em relação ao mesmo período de 2019.
Ao todo, foram contabilizados 3.621 casos de lesão, de janeiro a julho de 2019, número superior ao registrado em 2020, que foi de 2.730.
Mesmo com queda, números são altos
O levantamento do G1 aponta que, mesmo com menos registros que no ano passado no Brasil, o número de mulheres vítimas de estupros e de agressões em casa é alto.
Foram 119.546 registros de lesão corporal em contexto de violência doméstica no primeiro semestre deste ano. A queda em relação ao mesmo período do ano passado é de 11%, mas ainda são, em média, 664 mulheres agredidas por seus companheiros dentro de casa por dia.
Casos de violência contra a mulher tiveram queda durante a pandemia
Juliane Monteiro/G1
Monitor da Violência
O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Os dados revelam que:
o Brasil teve 1.890 homicídios dolosos de mulheres no primeiro semestre de 2020 (uma alta de 2% em relação ao mesmo período de 2019)
do total, 631 foram feminicídios, número também maior que o registrado no primeiro semestre do ano passado
14 estados tiveram alta no número de homicídios de mulheres
11 estados contabilizaram mais vítimas de feminicídios de um ano para o outro
Rondônia é o estado com a maior alta (255%) e o maior índice de homicídios de mulheres: 4,4 a cada 100 mil
Acre é o estado com a maior alta (167%) e a maior taxa de feminicídios: 1,8 a cada 100 mil
o país teve 119.546 casos de lesão corporal dolosa em decorrência de violência doméstica (11% a menos que no primeiro semestre de 2019)
houve o registro de 9.310 estupros (uma redução de 21% em um ano)
foram 13.379 estupros de vulnerável (uma queda de 20% no indicador de um ano para o outro)
o Pará tem a maior alta de casos de lesão corporal (46%) e o Mato Grosso, a maior taxa (259 a cada 100 mil)
Rondônia é o único estado do país com alta no número de estupros
Pandemia e subnotificação
Segundo especialistas consultadas pelo G1, os registros das mortes e dos outros crimes não letais, como agressões e estupros, devem ser analisados de formas distintas. Isso porque as formas como esses registros são feitos diferem bastante.
“Por isso, ela é mais registrada que outros tipos de crime e acaba se tornando o próprio indicador de violência na sociedade”, diz Romio.
Segundo a pesquisadora da Universidade de São Paulo Jackeline Romio, os registros de mortes são mais confiáveis porque passam por um “duplo registro”: são contabilizados nas delegacias e nos sistemas de segurança pública, bem como nos hospitais e nos dados de saúde.
Valéria Scarance, promotora de Justiça especializada em gênero e enfrentamento à violência contra a mulher, concorda. “Não há subnotificação de morte de mulheres. Mortes são mortes, ainda que não registradas como feminicídio. Por isso, os índices de assassinatos de mulheres representam um importante indicador da evolução da violência de gênero no país”, diz.
Já as lesões corporais e os estupros dependem das denúncias das próprias mulheres.
“O problema da subnotificação é um problema grave para os crimes não letais, porque depende da iniciativa da vítima. E, muitas vezes, as pessoas sofrem a violência e preferem resolver o problema de outra maneira, e não por meio da via institucional”, diz Ana Paula Portella, socióloga e consultora, com doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco.
Assim, segundo as especialistas, a queda nos indicadores desses crimes não letais não quer dizer que houve menos violência contra a mulher durante o primeiro semestre, mas, sim, que houve muita subnotificação.

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